quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

.peças.

Dá vontade de “fugir”, correr para bem longe, sem malas e bagagens . sem rumo . apagar da memória o passado e o presente . apagar . esquecer todas as cara pelas quais ja passamos . esquecer quem somos, de onde vimos e o que fazemos . como uma pequena amnésia, em que o hoje e o amanhã são construídos por novas caras, novos momentos.

...assim, por vezes, nos escondemos...

Dá vontade de ficar, vincando bem a posição que temos e o que queremos . passar por cima do ‘ontem’ e olhar para o hoje com outros horizontes . apagar . esquecer não esquecendo o que foste e deixar-te assim, ali, como peça importante do puzzle que contruímos a cada dia . olhar para as caras de sempre e sorrir.

Hoje o puzzle é o mesmo de ontem, apenas lhe inseri umas novas peças, e assim o faço todos os dias, como se a imagem se fosse modificando a cada dia que passa . não tiro peças, apenas acrescento, pois o passado é tão importante como o presente e só asim podemos dizer que vivemos.



[e as estradas são muitas]



escrito a dez de Abril de dois mil e sete

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

.happy new year.


Porque "uma imagem vale mais que mil palavras"


Hoje, seria o dia certo para as palavras, para tudo o que não foi dito e para repetir as palavras já pronunciadas. Hoje seria o dia certo. O dia para os balanços do ano, para as coisas boas e más. Mas o tempo escasseia, e não me apetece escrever. Hoje seria o dia certo. E é. É o dia certo para agradecer a todos que fazem parte da minha vida, perto ou longe. Quanto aos balanços deste ano, talvez para um próximo post.
Hoje é o dia certo para deixar as imagens falar.



~ Bom Ano p'ra todos



Beijinhos

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Há setenta e dois dias que não falamos. Nem uma única palavra, nem um simples “bom natal” da tua parte. Hoje acho que na realidade não faz muita diferença. Durante um tempo, os dias desenhavam-se contigo de cigarro na mão. Aquele jeito de ser a que me habituei, o boné preto e branco [personalizado por ti] que corria toda a gente, o telemóvel, o maço de tabaco e aquele isqueiro com o teu nome. Não era preciso mais nada.
Foi com tudo isto que partiste, não restou nada. De um dia para o outro já não valia a pena, já não era um nós, mas um eu e tu. “Amanhã falamos”, era o que dizias. Insisti mais e mais, não ia esperar pelo teu amanhã, pela tua vontade de falar. Podia não saber o que te dizer, podia não saber escolher as palavras ou fazê-las chegarem direitas do coração à boca ou até a ti, mas não ia esperar pelo “amanhã”. Não queria. Não podia continuar a magoar-me daquele jeito. Não há objectos trocados nem recordações do género, restaram apenas as memórias.
Já não há aquela bolha e saíste tal como entraste.
Deixei-te entrar no meu mundo, mostrei-te os meus lugares e a minha gente. Deixei-te ficar ali, conhecer aquela parte da minha vida que fecho dos outros. Hoje, os lugares partilhados ficam apenas na lembrança. A maioria deles sei que não mais irei lá voltar, alguns é ainda uma incógnita, enquanto outros assumem-se como presença diária.
Não foi fácil conviver com todas aquelas lembranças, com aquele cheiro que ficou na almofada e que todas as noites te relembrava; com as palavras ditas e com todas aquelas memórias de momentos vividos. Mas o tempo amenizou.
Às vezes, quando não te quero o desejo da lembrança é maior, outras quando desejo poder relembrar há momentos que já não estão na memória. A almofada já não tem o teu cheiro, mas sei que o reconhecia em qualquer lugar, sei ainda de cor a tua voz.
Deixaste-me no meio do trapézio, sem saber se seguia em frente ou dava um passo atrás. No fim, optei por um arriscado passo em frente, um pouco trémulo e que fez balançar o trapézio, mas que hoje me permite caminhar com mais tranquilidade.


Apesar de todas as mudanças, hoje, não tenho medo de dizer que não te quero.

[eras tu a ficar por não saberes partir, e eu a rezar para que desaparecesses,

era eu a rezar para que ficasses, tu a ficares enquanto saías.]


Afinal não há alturas certas para se dizer adeus.



http://tahistis.blogspot.com/

domingo, 25 de novembro de 2007

come alive




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

[Vinicius de Moraes]


~ já nada nos resta

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

[hoje faltam-me as palavras, talvez num amanha me consiga expressar melhor]




Um dia entraste pela porta de sorriso nos lábios e maço de tabaco no bolso. Derrubaste todas a muralhas que tinha construído e como se isso não chegasse “obrigaste-me” a passar novamente naquela ponte em ruínas. Era como se tudo fosse teu dentro daquela bolha que criaste e onde me envolveste.
Acabou
Já não há aquela bolha e saíste tal como entraste com um maço no bolso.
Desprotegida
Sim é assim que me sinto
Já chorei
Sim, muito, talvez mais do que pudesse imaginar. Apeteceu-me berrar e gritar, mas a voz não saía; tirar tudo do lugar e partir os objectos todos que estão na estante.
Apeteceu-me desaparecer por uns tempos, ficar sozinha, voltar aquele lugar que sempre foi o meu refúgio e sentir de novo aquela brisa, os pés a tocar na areia e o barulho das ondas.
Talvez seja ironia ou outra coisa qualquer, mas foi ali que nos conhecemos, que tudo surgiu, naquele meu lugar de anos, naquele meu aconchego, naquela tarde que tudo mudou e que para nós fica guardada.
Apeteceu-me entrar num comboio e ir directamente para a baixa do porto, não sei porque, apenas queria rodear-me de pessoas desconhecidas, ver caras e o movimento apressado de cada um, talvez entrar numa e outra loja. Não fazer nada, apenas sentir o movimento.

Sei que todos dizem que sou forte, que tenho uma personalidade que não é fácil mas insistente, que se aguenta nos obstáculos e que se já ultrapassei muita coisa também isto ultrapasso, agora não vou dizer que estou bem, que tudo está bem, mas também não vou fingir e dizer que tudo esta muito mal. As vezes queria chorar, deitar tudo cá para fora mas não consigo. Queria que as palavras saíssem melhores, mas não dá.
Sei tudo o que vivemos, tudo o que passamos e são esses momentos que recordo, são essas coisas que estão presentes no coração, talvez por isso não consiga chorar.
No fundo e pensando de uma forma racional foi o melhor, e por isso o aceito.


Melhor…

para mim, para ti, para nós,
para que a nossa amizade persista

sábado, 22 de setembro de 2007

ainda à pouco adormecemos...















Acordei em sobressalto depois daquele pesadelo em que a morte se desenhava a minha frente. Com as lágrimas a escorrerem-me pela face tentei reflectir que não passava disso mesmo, um sonho, um pesadelo. Mas as mãos continuam a tremer e a cabeça prestes a explodir. Não consigo ficar quieta, sento-me e volto-me a levantar. Corro todos os cantos da casa a tua procura, mas não estás aqui. Eu sei que não estás aqui e mesmo assim continuo a procurar-te. Sento-me e novamente me levanto. Olho para ecrã do telemóvel, ainda não disseste nada. Mas também é cedo, de certeza que ainda não acordaste [ainda à pouco te foste deitar]. Sinto um aperto bem forte, juro que aquele sonho me deixou inquieta. Espero? Não espero? Ligo-te? Ou não?
A cabeça anda as voltas com isto, a ansiedade torna-se maior e aquele aperto mais forte. Não te quero acordar. Sei que está tudo bem, deve ter sido só o maldito do telemóvel que parou no tempo.







~mais umas horas e o coração sossega...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

por fim não foste














[dizem que os portugueses são mesmo assim, têm a tendência de sofrer por antecedência, eu sei que pelo menos eu sou assim, numa mania de me fechar naquela bolha de segurança e ficar a sofrer por antecedência, mesmo que seja de saudades]





o dia amanheceu ja tarde com o coração em nó, numa troca de mensagens em que se exigia uma hora. era o pensar de mais uma despedida e a falta de vontade para fazer as perguntas necessárias. enquanto o sangue fervilhava em cada artéria e veia percorrida, o coração desejava saltar para fora o peito, na certeza que as horas seriam poucas e os minutos contados um a um. a noite caiu com um entrelaçar de mãos num inicio de "battle of tribes " num "blasted empire". um "sun goes down" que um uníssono afirmava o calor da noite. quase duas horas depois, karkov e o retorno à realidade inquietante. o aperto era maior que nunca numa saudade por antecedência. um sorriso e a inevitavel pergunta com a resposta mais surpreendente. sem palavras, bastou o abraço em que me fazes sentir segura.








~ a cada momento partilhado as certezas são maiores..