As palavras vão-se perdendo no meio de tanta agitação. O tempo vai passando, e apesar da vontade de escrever as palavras teimam em ficar entaladas na garganta e na mente, e mesmo quando fluem como outrora confesso agora uma certa preguiça em escrever. Os dias vão passando, as semanas tornando-se meses e no meio de tanto rodopio e tanta agitação, encontros e desencontros, risos e sorrisos, gargalhadas e choros, felicidades e tristezas, vontades e dias mais pesados. Já passamos por algumas coisas juntos, sei que pouco ficou registado em palavras numa ou noutra folha, mas para mim ficaram marcados palavra a palavra, momento e momento no local mais importante e mais precioso para mim – marcados no coração, como se a cada dia as palavras fossem lá escritas. A dificuldade de escrever e de expressar-me cada vez mais se acentua, e muito fica por dizer, em palavras eloquentes, segredados em palavras simples e sinceras. Hoje não é muito diferente dos outros dias, por muito que te queira dizer, apenas não consigo expressar-me em palavras. Não sei como te dizer muito. Que me fazes falta a cada dia que passa, que sinto falta daquele abraço, que me descompassaste o passo e desnorteaste. Não te sei explicar o quanto me custa cada despedida, mesmo que no dia seguinte estejamos juntos, como dizer o que sinto a cada momento antes de me reencontrar contigo. Apenas que cada abraço, cada enlaçar de mãos e cada beijo atenua um pouco a falta que me fazes quando não estás comigo e simultaneamente todos estes gestos apertam um pouco mais o coração, como que se de um nó de tratasse quando a noite cai, e tu já não lá estás.