sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

.gosto de certezas mas não de rotinas.

“Sabes, era assim como quando se é criança e, a brincar, se rodopia, se rodopia sobre si mesmo, de olhos fechados, rodopia-se, rodopia-se cada vez mais depressa e depois pára-se, volta-se a abrir os olhos e tudo continua a girar…”






Está tudo tão calmo, estranhamente calmo e silencioso. O dia termina assim, sem palavras e sem gestos.


No fundo a verdade é que não é assim. Lá fora, tudo se movimenta, as pessoas apressadas para chegar a casa, os carros que passam num e noutra viagem. Está calmo aqui, dentro destas quatro paredes, em que o silencio se quebra pelo som daquela música, suave, melancólica, onde muito se diz e pouco se entende. O silêncio que se quebra por aquele quadro onde se encontram muitas recordações. As imagens das pessoas que de uma forma ou e outra foram ou ainda são especiais na minha vida. Aqueles com quem sorrisos e lágrimas foram partilhados. Aqueles que o tempo fez questão de distanciar, e no fundo talvez nós próprios o fizemos, escolhas que foram tomadas e por muito que se tente, já não volta ao mesmo. Aqueles outros que o tempo aproximou, a quem confidenciamos o que vai no fundo do coração, que no dia-a-dia vão partilhando os momentos.

As horas vão passando, e no meio de tantas recordações ficam aquelas palavras “O que tem de especial? Nada. E ao mesmo tempo tudo! É único e gosto de ali estar.” A resposta que ainda hoje seria dada da mesma forma.

“Por vezes é assim, fixaste os olhos e não os soubeste ler, não viste o que diziam e pela primeira vez em muito tempo senti-me perdida. Pediste palavras que não sei dizer, nem ontem nem hoje as sei, esperaste pelo sorriso que era efémero e pela vontade de falar que não havia. Apenas não percebeste a necessidade de te abraçar e ficar ali, sem perguntas, sem nada. Apenas a necessidade daquele abraço.”




~ There’s just one thing that I need to say / Before I close my eyes and walk away / There’s just one thing that I need to feel / Before I walk away against my will


1 comentário:

Maudlin disse...

Em cada palavra sei o que dizes, e isso reconforta-me.
E o meu coração convicto diz-me, em sussurros, que haverá sempre um 'nós', um 'como antes', um quadro na parede do quarto para onde olhar, feito janela de momentos. Que se perpetuarão os sorrisos de meninas colegiais e os olhares de mulheres; mulheres que se sabem, que se conhecem, que falam sem rossar os lábios. E que, o tão antigo - ora cheio, ora vazio, ora garrido, ora alvo - sítio do costume existirá, bem ali, para sempre. O que é que faz dele especial? As pessoas e o que lá deixámos, há muito. E o que ainda hoje vamos deixando, pelo chão, pelas paredes, pelas mesas velhinhas, sem ninguém perceber. Assim, bem baixinho, como um segredo.


É bom ler-te, e saber que te tenho sempre aqui. Perto.

Saudade (L)