sábado, 18 de outubro de 2008

not easy


Já não gosto de folhas em branco, e ali estavam elas a olhar para mim. Rasguei-as, uma a um, à medida que cada gota de chuva ia caindo. Chove, como já não chovia há muito tempo. Já não consigo escrever, já não gosto de escrever, não consigo passar para o papel o que a mente pensa, o que o coração sente. Já não consigo formar frases sem que tudo pareça vazio. A chuva não se cala, olho para o lado de fora da janela e vejo as árvores abanarem. Não gosto da chuva e simultaneamente adoro-a, faz-me pensar , e no entanto não gosto de pensar, não quero pensar, não quero encontrar respostas para as minhas perguntas. Quero sentar-me e relembrar. Quero lembrar quando tudo era tão diferente, quando os gestos sentiam-se, quando as palavras ouviam-se, quando escrevia. Gosto de 'reviver' na minha mente todos aqueles momentos, todos aqueles pedaços que se vão desfazendo aos poucos. Mais uma folha em branco a olhar para mim, rasgo-a, tal como fiz com as outras. O livro que lia continua na estante, parado numa página qualquer há tanto tempo, que lhe perdi a conta. As páginas que escrevia perderam-se no tempo, perderam-se em pedaços no vazio que existe, tal como as gotas de chuva se perdem no chão quando caem.

~ a escrita perdeu-se no vazio



Esperei-te no fim de um dia cansado/ À mesa do café de sempre/O fumo, o calor e o mesmo quadro/Na parede já azul poente/Alguém me sorri do balcão corrido/Alguém que me faz sentir/Que há lugares que são pequenos abrigos/Para onde podemos sempre fugir/ Da tarde tão fria há gente que chega/E toma um café apressado/E há os que entram com o olhar perdido/À procura do futuro no avesso do passado

Enquanto espero percorro os sinais/Do que fomos que ainda resiste/As marcas deixadas na alma e na pele/Do que foi feliz e do que foi triste

O meu corpo no chão/O livro que eu li/O silêncio e a pele, as palavras sentidas/Os vestígios de ti/ As revistas no chão/Os copos vazios/Vestígios do tempo, as palavras trocadas/O calor e o frio/ Cada gesto que abraça/E o filme que eu vi/O que fica marcado e nunca se afasta/Os vestígios de ti



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

I Don't Want To Miss A Thing




As palavras vão-se perdendo no meio de tanta agitação. O tempo vai passando, e apesar da vontade de escrever as palavras teimam em ficar entaladas na garganta e na mente, e mesmo quando fluem como outrora confesso agora uma certa preguiça em escrever. Os dias vão passando, as semanas tornando-se meses e no meio de tanto rodopio e tanta agitação, encontros e desencontros, risos e sorrisos, gargalhadas e choros, felicidades e tristezas, vontades e dias mais pesados. Já passamos por algumas coisas juntos, sei que pouco ficou registado em palavras numa ou noutra folha, mas para mim ficaram marcados palavra a palavra, momento e momento no local mais importante e mais precioso para mim – marcados no coração, como se a cada dia as palavras fossem lá escritas. A dificuldade de escrever e de expressar-me cada vez mais se acentua, e muito fica por dizer, em palavras eloquentes, segredados em palavras simples e sinceras. Hoje não é muito diferente dos outros dias, por muito que te queira dizer, apenas não consigo expressar-me em palavras. Não sei como te dizer muito. Que me fazes falta a cada dia que passa, que sinto falta daquele abraço, que me descompassaste o passo e desnorteaste. Não te sei explicar o quanto me custa cada despedida, mesmo que no dia seguinte estejamos juntos, como dizer o que sinto a cada momento antes de me reencontrar contigo. Apenas que cada abraço, cada enlaçar de mãos e cada beijo atenua um pouco a falta que me fazes quando não estás comigo e simultaneamente todos estes gestos apertam um pouco mais o coração, como que se de um nó de tratasse quando a noite cai, e tu já não lá estás.


~ amo-te


[Dás-me a vontade, Dás-me o ouvido, De arrancar músicas ao ar/ Na tempestade, Madeira e vidro, Saberão como não quebrar/As chamas trinco, O sexto sentido, Saberá tudo entrelaçar/ É por tudo o que em nós corre, Que se vive e que se morre/ Meu sangue sinto, Que à terra desce, E no teu corpo o sei lugar/ Dentro do instinto, Tudo o que cresce, É forma boa de se amar/ Eu toco, eu fujo, eu volto, eu passo, Giro nos meus seis sentidos, Eu desço à terra e subo ao espaço, Agarrado aos seis sentidos.]

domingo, 29 de junho de 2008

.pedaços.


"Guarda os teus sonhos, tão breves, tristonhos,
Tão iguais aos meus; vence os teus medos,
São leves segredos, diferentes dos meus;
Não ha na terra lugar para a guerra
De dois corações que se adoram e pra sempre choram
As suas paixoes. Mas eu não sei
Porque é que me olhas por entre folhas
De um velho diário? Nem vou saber
Se o que la esta escrito entre nos foi dito,
Ou é ao contrario! Mas no meu peito
Vai ficar sempre, a saudade das coisas que me dizias e sentias, de verdade."


[“roubado” a 16/10/06]

por vezes...




E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá do fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
Num segundo se evolam tantos anos

[David Mourão Ferreira]




~ perdemos noção das coisas

terça-feira, 17 de junho de 2008


Depois de tanta correria, de ver o tempo a passar e eu a perder-me nele, faltam 20 minutos para terminar este dia, e como é lógico não podia deixar de aqui te dar os parabéns [visto que hoje já o fiz não sei quantas vezes].
Antes de tudo peço desculpa pela possível incoerência nas frases, mas já não posso pedir muito a mim mesma.
Começa a sei difícil ter palavras para descrever cada momento que já vivemos e tudo o que hoje és para mim. [vá não chores :p]
Não faz assim tanto tempo que tudo “começou”, mas por tudo já vivido parece-me uma eternidade. Os dias partilhados, as noites num e noutro café, e até sempre no mesmo, aquela mesa que nos espera, para a conversa ou para o estudo. Os sorrisos, os risos e até o choro. Já houve dias bons e outros um pouco piores. Já houve vontade para falar e por vezes, apenas a necessidade daquele silêncio em que o olhar fala mais. Mas mesmo em silêncio há sempre a certeza que hoje e amanha, para falar ou apenas amparar, lá estamos. [até para dar uma chapadas, se for preciso]

Cafés.Festas.Conversas.Dias.Noites.Sorrisos.Lágrimas.Risos.Fotos.Prendas.Olhares.

Tudo isto e muito mais, fazem parte do nosso dia-a-dia e por isso é guardado naquele baú mais precioso que existe. Por isso é que digo que fazes parte do meu coração.


Parabéns menina

<3

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Parabéns!


Queria poder dizer-te tanto, mas não sei que palavras usar. Não sei como conjugá-las nem como estruturar uma única frase coerente.

Hoje, queria dizer-te tanto e as palavras abandonaram-me.

É difícil transpor para palavras tudo o que sinto, é difícil expressar-me. É difícil quando os gestos se sobrepõem e falam bem mais alto, quando os momentos vividos são cada vez mais, mais fortes e únicos. É difícil a cada dia que passa. É difícil quando a saudade aperta e os dias tornam-se mais longos. Os minutos parecem uma eternidade e os segundos são contados um a um.

É difícil escrever-te quando te sei de cor e nenhuma palavra me parece suficientemente “boa” para te dizer.

É difícil quando a noite chega e com ela a saudade do teu abraço e a falta do aconchego dos teus braços.

É difícil escrever-te. Hoje é bem mais fácil dizer-te obrigado por tudo o que és, pelos momentos vividos e por estares sempre do meu lado. Obrigado por me mostrares uma outra parte de ti, e me fazeres feliz.

Amo-te

~ hoje voltamos onde começamos

domingo, 18 de maio de 2008

preciso...

Larga-me e deixa-me apenas fugir. Não sei para onde vou nem quando volto [ou então se volto], quero entrar no primeiro comboio sem destino marcado e fugir para qualquer sitio ou sitio nenhum. Solta-me, liberta-me de tudo o que me prende aqui. Solta-me as amarras e deixa-me apenas fugir. É isto que eu quero, é isto que eu preciso. Já não sou mais eu, e não me encontro aqui. Já não sei quem sou e em nada me revejo. Preciso de tempo sozinha, do meu momento e de espaço para mim. Preciso de entrar naquela gare por uma última vez e apanhar aquele comboio sem destino. Sentar-me num dos bancos e olhando cá para fora, sentir as lágrimas a escorrerem-me pela face. Sentir aquele adeus, que dá vontade de arrancar o coração do peito.

O coração amarrotado, desfeito, despedaçado, cosido e [re]cosido milhares de vezes. Olhando para ele, dá vontade de tirar e deitar fora.

Deixa-me apenas fugir.

Não tenho destino, nem sei se algum dia volto.


preciso...

preciso de ti