quarta-feira, 28 de maio de 2008

Parabéns!


Queria poder dizer-te tanto, mas não sei que palavras usar. Não sei como conjugá-las nem como estruturar uma única frase coerente.

Hoje, queria dizer-te tanto e as palavras abandonaram-me.

É difícil transpor para palavras tudo o que sinto, é difícil expressar-me. É difícil quando os gestos se sobrepõem e falam bem mais alto, quando os momentos vividos são cada vez mais, mais fortes e únicos. É difícil a cada dia que passa. É difícil quando a saudade aperta e os dias tornam-se mais longos. Os minutos parecem uma eternidade e os segundos são contados um a um.

É difícil escrever-te quando te sei de cor e nenhuma palavra me parece suficientemente “boa” para te dizer.

É difícil quando a noite chega e com ela a saudade do teu abraço e a falta do aconchego dos teus braços.

É difícil escrever-te. Hoje é bem mais fácil dizer-te obrigado por tudo o que és, pelos momentos vividos e por estares sempre do meu lado. Obrigado por me mostrares uma outra parte de ti, e me fazeres feliz.

Amo-te

~ hoje voltamos onde começamos

domingo, 18 de maio de 2008

preciso...

Larga-me e deixa-me apenas fugir. Não sei para onde vou nem quando volto [ou então se volto], quero entrar no primeiro comboio sem destino marcado e fugir para qualquer sitio ou sitio nenhum. Solta-me, liberta-me de tudo o que me prende aqui. Solta-me as amarras e deixa-me apenas fugir. É isto que eu quero, é isto que eu preciso. Já não sou mais eu, e não me encontro aqui. Já não sei quem sou e em nada me revejo. Preciso de tempo sozinha, do meu momento e de espaço para mim. Preciso de entrar naquela gare por uma última vez e apanhar aquele comboio sem destino. Sentar-me num dos bancos e olhando cá para fora, sentir as lágrimas a escorrerem-me pela face. Sentir aquele adeus, que dá vontade de arrancar o coração do peito.

O coração amarrotado, desfeito, despedaçado, cosido e [re]cosido milhares de vezes. Olhando para ele, dá vontade de tirar e deitar fora.

Deixa-me apenas fugir.

Não tenho destino, nem sei se algum dia volto.


preciso...

preciso de ti

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

.divagações.

Há uns dias perguntaram-me se estava feliz. Creio que a minha imediata resposta foi mais que convincente. Mas num ar desafiador, perguntou-me se não tinha duvidas. Sorri, e respondi-lhe que as dúvidas tornavam-se no mesmo instante certezas.

Creio que o confundi ainda mais. Não deveria estar a espera daquela resposta. Se calhar, se tivesse parado para pensar teria sido mais cautelosa com as palavras. Talvez para depois não pensar nisso. Nunca gostei do meu jeito de ser emocional, sempre preferi ser racional, parar para pensar no que digo. Tenho a noção que é apenas uma defesa. [Contra quem não sei, talvez contra mim própria]. Se não sou racional, acabo por deixar que as palavras se soltem sem noção das consequências [o que nem sempre é mau].

Há muito que o desejo de escrever se demonstra, mas as palavras não se produzem nem fluem direitas. Por vezes é mais fácil dizer quando somos só nós, naqueles momentos em que sei que nada me pode entristecer, aí as palavras multiplicam-se aos sorrisos. É difícil. Sei que nem sempre sou boa com as palavras e nem sempre as sei transmitir. É difícil traduzir para palavras os momentos que partilho contigo, os sentimentos que daí advêm…é difícil até dizer o quanto gosto de ti.

Podia construir frases elegantes com palavras eloquentes, mas como digo, as palavras nem sempre fluem direitas.

Hoje, é um dos dias em que as palavras não me fazem companhia. Hoje, é decididamente daqueles dias em que deveria estar calada. As palavras não são correctamente ditas, outras são mal interpretadas. Hoje, era um bom dia para pedir “desculpas”, pelas palavras erradas e pelos gestos menos correctos, pelas interpretações que causam mau estar e pelo meu modo de ser. Decididamente nem sempre tenho jeito com as palavras e quando devia dizê-las deixo que o silêncio fale mais alto.

A ti, hoje digo-te que o coração aperta um pouco mais, segredo-te o que há uns dias não soube dizer, quando naquele abraço senti a necessidade de conter as lágrimas. Posso não ter palavras para passar para o papel cada momento e tudo o que me fazes sentir. Prefiro guardar esses momentos na minha memória e acima de tudo no meu coração.


[cada abraço, cada entrelaçar de mãos, cada beijo, cada gesto, cada palavra, cada olhar].

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

.peças.

Dá vontade de “fugir”, correr para bem longe, sem malas e bagagens . sem rumo . apagar da memória o passado e o presente . apagar . esquecer todas as cara pelas quais ja passamos . esquecer quem somos, de onde vimos e o que fazemos . como uma pequena amnésia, em que o hoje e o amanhã são construídos por novas caras, novos momentos.

...assim, por vezes, nos escondemos...

Dá vontade de ficar, vincando bem a posição que temos e o que queremos . passar por cima do ‘ontem’ e olhar para o hoje com outros horizontes . apagar . esquecer não esquecendo o que foste e deixar-te assim, ali, como peça importante do puzzle que contruímos a cada dia . olhar para as caras de sempre e sorrir.

Hoje o puzzle é o mesmo de ontem, apenas lhe inseri umas novas peças, e assim o faço todos os dias, como se a imagem se fosse modificando a cada dia que passa . não tiro peças, apenas acrescento, pois o passado é tão importante como o presente e só asim podemos dizer que vivemos.



[e as estradas são muitas]



escrito a dez de Abril de dois mil e sete

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

.happy new year.


Porque "uma imagem vale mais que mil palavras"


Hoje, seria o dia certo para as palavras, para tudo o que não foi dito e para repetir as palavras já pronunciadas. Hoje seria o dia certo. O dia para os balanços do ano, para as coisas boas e más. Mas o tempo escasseia, e não me apetece escrever. Hoje seria o dia certo. E é. É o dia certo para agradecer a todos que fazem parte da minha vida, perto ou longe. Quanto aos balanços deste ano, talvez para um próximo post.
Hoje é o dia certo para deixar as imagens falar.



~ Bom Ano p'ra todos



Beijinhos

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Há setenta e dois dias que não falamos. Nem uma única palavra, nem um simples “bom natal” da tua parte. Hoje acho que na realidade não faz muita diferença. Durante um tempo, os dias desenhavam-se contigo de cigarro na mão. Aquele jeito de ser a que me habituei, o boné preto e branco [personalizado por ti] que corria toda a gente, o telemóvel, o maço de tabaco e aquele isqueiro com o teu nome. Não era preciso mais nada.
Foi com tudo isto que partiste, não restou nada. De um dia para o outro já não valia a pena, já não era um nós, mas um eu e tu. “Amanhã falamos”, era o que dizias. Insisti mais e mais, não ia esperar pelo teu amanhã, pela tua vontade de falar. Podia não saber o que te dizer, podia não saber escolher as palavras ou fazê-las chegarem direitas do coração à boca ou até a ti, mas não ia esperar pelo “amanhã”. Não queria. Não podia continuar a magoar-me daquele jeito. Não há objectos trocados nem recordações do género, restaram apenas as memórias.
Já não há aquela bolha e saíste tal como entraste.
Deixei-te entrar no meu mundo, mostrei-te os meus lugares e a minha gente. Deixei-te ficar ali, conhecer aquela parte da minha vida que fecho dos outros. Hoje, os lugares partilhados ficam apenas na lembrança. A maioria deles sei que não mais irei lá voltar, alguns é ainda uma incógnita, enquanto outros assumem-se como presença diária.
Não foi fácil conviver com todas aquelas lembranças, com aquele cheiro que ficou na almofada e que todas as noites te relembrava; com as palavras ditas e com todas aquelas memórias de momentos vividos. Mas o tempo amenizou.
Às vezes, quando não te quero o desejo da lembrança é maior, outras quando desejo poder relembrar há momentos que já não estão na memória. A almofada já não tem o teu cheiro, mas sei que o reconhecia em qualquer lugar, sei ainda de cor a tua voz.
Deixaste-me no meio do trapézio, sem saber se seguia em frente ou dava um passo atrás. No fim, optei por um arriscado passo em frente, um pouco trémulo e que fez balançar o trapézio, mas que hoje me permite caminhar com mais tranquilidade.


Apesar de todas as mudanças, hoje, não tenho medo de dizer que não te quero.

[eras tu a ficar por não saberes partir, e eu a rezar para que desaparecesses,

era eu a rezar para que ficasses, tu a ficares enquanto saías.]


Afinal não há alturas certas para se dizer adeus.



http://tahistis.blogspot.com/

domingo, 25 de novembro de 2007

come alive




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

[Vinicius de Moraes]


~ já nada nos resta